A tecnologia mudou a forma como nos comunicamos, como trabalhamos, e como nos divertimos. Ao invés da família reunida em torno do rádio, ou da TV, vendo o mesmo conteúdo, agora temos dispositivos pessoais, onde o gosto individual determina qual série ou música específica cada um irá ver, e o momento comum vai desaparecendo. Não estou julgando se isto é melhor ou pior. É diferente.  E, com isto, as relações que construímos e as emoções que experimentamos serão diferentes. Neste novo mundo, muitas mães e pais sentem que é um desafio brincar com suas crianças. 

Neste post, sugerimos 5 formas de brincar, que, além de serem divertidas, ajudarão a desenvolver as habilidades mais importantes para o futuro dominado pela tecnologia:

  • alegria de aprender,
  • compreensão,
  • cooperação,
  • paciência, e
  • conexão emocional.

1) Ensine algo prático

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O que você gosta de fazer e não é a forma como você ganha dinheiro? Cozinhar? Desenhar? Andar de bicicleta? Bordar? Construir coisas de madeira? Fazer colagens? Fotografar?

Desenvolver um hobbie com sua criança é uma forma de conexão instantânea. Ensine a usar ferramentas, segurem os instrumentos juntos. Compre dois de cada (e evite os kits júnior). Lembre-se da alegria que as crianças sentem em usar "coisas de adultos", como roupas, óculos, ferramentas. Segurança é fundamental, mas com uma supervisão carinhosa crianças podem usar qualquer material de artes, culinária e ferramentas.


2) Dê autonomia

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Crianças, da mesma forma que adultos, adoram o sentimento de fazer algo por conta própria. Ensine pelo exemplo, fazendo juntos. Encoraje a criança a tentar coisas que ela nunca fez. Dizer: "Eu não sou bom nisso" geralmente quer dizer "eu não sei fazer isto e estou com medo do fracasso".  Em uma sociedade que valoriza demais resultados, dinheiro e metas, a pressão de desapontar os pais pode impedir que a criança tente.

Comemorem as vitórias, mas também riam dos erros. A vantagem de estar brincando é que o erro não terá consequências sérias. 


3) Compartilhe ideias

Antes de começar o projeto, mostre o que já fez, ou que outras pessoas fizeram. Mostre que você realmente se importa. As crianças percebem quando não achamos algo interessante.

Neste momento, a tecnologia pode ser uma grande aliada. Pinterest, sites específicos de hobbies e mesmo a seção de imagens do Google podem ser uma grande fonte de inspiração. E tenha baixas expectativas quanto à resultados. Sites como PinterestFail nos lembram que é preciso tentar muito até conseguir fazer direito.

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4) Faça perguntas e ouça as respostas

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De verdade. Escute com empatia, curiosidade e amor. Tente entender o que sua criança pensa, sente e sabe. Controle o impulso de ensinar quando a resposta estiver "errada". Fique mais interessado em como a criança chegou naquela conclusão. Este não é o momento de passar fatos corretos. É um momento de compartilhar, aproximar, fazer conexões. Crítica e julgamento destroem esta possibilidade.


5) Aprenda com a criança

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Crianças têm habilidades incríveis. Elas sabem cantar músicas com letras impossíveis. Elas encostam os pés na cabeça. Elas tem jogos de pega-pega com regras mais complexas do que xadrez. Elas sabem piadas engraçadíssimas. Elas conhecem personagens e histórias que não existiam quando éramos crianças. Elas tem ideias poderosas sobre como o mundo é ou deveria ser. 

No momento da brincadeira, entregue o controle para a criança: diga que você gostaria de aprender a brincar. Você já soube, mas tem muito tempo, e você não lembra direito. Pergunte sobre a brincadeira favorita dela na escola, e faça um esforço para ser bom nela.

E o mais importante: divirta-se. Essa é uma chance de ver o mundo sem a experiência, os pré-conceitos, redescobrir-se e experimentar. Quem sabe você gosta de brincar de massinha? Ou andar de bicicleta? Ou pintar com os dedos?

Com minhas filhas eu descobri um amor por LEGO que não sabia que tinha. Voltei a andar de bicicleta. Aprendi a nova letra de "Adoleta, lepetipetipolá", conheci a música de Kate Perry, morri de rir com Masha e o Urso. Descobri que sou invencível no jogo Rummikub. Sou um adulto mais feliz, porquê minhas crianças me ensinaram a brincar.

Boa brincadeira!

 

Este post foi inspirado pela palestra e roda de discussão "Maternidade e Paternidade na Modernidade", que aconteceu dia 21/2/2018 na Just CODING, coordenada pela psicóloga Marina Otoni.

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