Filmes: o que fazer quando a classificação indicativa é para crianças mais velhas?

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Filmes: o que fazer quando a classificação indicativa é para crianças mais velhas?

O cinema voltou com força total nos últimos anos.

Filmes da Marvel, do Harry Potter, do Senhor dos Anéis, Star Wars e Piratas do Caribe inundaram o cinema com histórias recheadas de ação, personagens interessantes e divertidos.

E as crianças ficam ansiosas e curiosas para ver cada um deles. Mas, como mostra a lista a seguir das maiores bilheterias desde o ano 2000, as classificações indicativas nem sempre são compatíveis com as idades das crianças. E aí, o que fazer?


Maior Bilheteria por Ano (Classificação Indicativa):

2000: O Grinch (L)
2001: Harry Potter e a Pedra Filosofal (L)
2002: Homem Aranha (12)
2003: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (14)
2004: Shrek 2 (L)
2005: Star Wars: A Vingança dos Sith (10)
2006: Piratas do Caribe: O Baú da Morte (12)
2007: Homem Aranha 3 (12)
2008: O Cavaleiro das Trevas (12)
2009: Avatar (12)
2010: Toy Story 3 (L)
2011: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (12)
2012: Os Vingadores (14)
2013: Jogos Vorazes: Em chamas (14)
2014: American Sniper (16)
2015: Star Wars: O Despertar da Força (12)
2016: Rogue One: Uma História Star Wars (12)
2017: Star Wars: Os Últimos Jedi (12)
2018: Black Panther (14)


ENTENDENDO COMO É FEITA A CLASSIFICAÇÃO

Primeiro, é interessante conhecer as regras usadas para definir a Classificação Indicativa de um filme. Elas são baseadas em vários fatores psicológicos e de desenvolvimento cognitivo, além de proteção da infância e juventude.

Por isto, levam em conta critérios específicos para a exibição de "Violência", "Sexo e Nudez" e "Drogas". Como exemplo, podemos citar alguns critérios relativos à exibição de VIOLÊNCIA nos filmes:

  • Classificação LIVRE (L): permite a existência de VIOLÊNCIA FANTASIOSA, como, por exemplo, atos agressivos de desenhos animados destinados ao público infantil, que não apresentem correspondência com a realidade tais como lesões corporais.
  • Classificação 10 ANOS (10): é permitida a PRESENÇA DE ARMAS COM VIOLÊNCIA, sem que haja consumação do ato, como um personagem ouve um barulho em casa e apanha uma faca para defender-se (mas não a utiliza).
  • Classificação 12 ANOS (12): é permitido o ATO VIOLENTO, com ameaça ou ação intencional de violência contra a integridade corporal, liberdade ou a saúde, própria ou de outrem, como personagens  que brigam com socos e chutes. Também é permitida pela primeira vez a PRESENÇA DE SANGUE oriundo de alguma lesão corporal, como sangue originado de agressões físicas (socos e tiros), acidentes, procedimentos médicos e lesões internas (cirurgias, vômitos com sangue) e cenários ou objetos ensanguentados.
  • Classificação 14 ANOS (14): é permitida MORTE INTENCIONAL, ou seja, um personagem mata outro intencionalmente.
  • Classificação 16 ANOS (16): é permitida VIOLÊNCIA GRATUITA / BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA, que é a ciolência sem motivo aparente, por motivo fútil ou, reiteradamente, como forma predominante ou única de resolução de conflitos, como no jogo GTA, onde o jogador pode agredir livremente pedestres na rua.
  • Classificação 18 anos (18): é permitida VIOLÊNCIA DE FORTE IMPACTO, como mortes violentas, e CRUELDADE.

Estas regras são muito detalhadas e podem ser lidas integralmente na página sobre Classificação Indicativa do Ministério da Justiça, onde é possível consultar a classificação indicativa de qualquer filme ou jogo.


ENTENDENDO O QUE DIZ A LEI

Em segundo lugar, esclarecemos que, no Brasil, existem várias legislações diferentes para estados, cidades e cadeias de cinema específicas. Por isto, é importante sempre consultar as regras específicas para o cinema que você pretende ir.

Mas, em grande parte das vezes, a regra que vale é a seguinte: crianças com idade até 2 anos abaixo da classificação indicativa podem entrar, desde que acompanhadas dos pais ou responsáveis que assinam um termo de compromisso na entrada do cinema. Ou seja, uma criança de 10 anos pode assistir à filmes com classificação até 12 anos.

É muito importante ressaltar que esta regra só vale para filmes que não sejam 18 anos (ou seja, nem os pais podem autorizar um adolescente de 16 ou 17 a ver filmes para maiores de idade).

Esta "margem" de 2 anos permite que os pais avaliem se a criança deve ou não assistir ao filme de acordo com a maturidade da criança e os valores da família. 


ENTENDENDO OS EFEITOS NEGATIVOS DE EXPOR A CRIANÇA A CONTEÚDO IMPRÓPRIO

Assistir à um ou outro filme ocasionalmente não irá prejudicar o cérebro das crianças. Mas a exposição constante pode trazer uma série de impactos negativos:

  • As crianças perdem o aprendizado da narrativa e desenvolvimento dos personagens. Perguntamos aos nossos alunos que haviam assistido à filmes fora da faixa etária qual era a história do filme, e as crianças não conseguiam se lembrar. Elas lembravam apenas do conteúdo inadequado: as cenas de violência. As narrativas e dilemas apresentados são para outro período de desenvolvimento, o que torna o filme empolgante (por ser de ação), mas incompreensível de forma lógica e emocional. Isto resulta em confusão emocional para as crianças.
  • Sabemos que a exposição constante à violência explícita cria um efeito de "dessensibilização", ou seja, a criança passa a achar normal comportamentos que são anormais. Por exemplo, acham normal pessoas se agredindo fisicamente por motivos fúteis. Os resultados a longo prazo podem incluir depressão infantil, apatia, tristeza sem motivo e agressividade.
  • Outro efeito nocivo é a objetificação e sexualização precoce. Crianças expostas à imagens de mulheres sexualizadas e tratadas como objetos provocam: baixa de auto-estima nas meninas; e agressividade com o sexo oposto nos meninos. Ao tratar as mulheres como "prêmios" a serem conquistados com violência (derrotando o inimigo em lutas corporais), as crianças acostumam com modelos de relações afetivas que são muito danosos aos seus relacionamentos futuros.

O QUE FAZER, ENTÃO?

Sugerimos fortemente que você não leve sua criança para ver filmes que são classificados como mais de 2 anos acima da idade dela. Se a classificação for 2 anos acima da idade, limite o número de filmes, e acompanhe a criança, discutindo com ela ao final as cenas que você achou mais violentas, ou inadequadas.

Existem dezenas de filmes interessantes, que são classificados como Livres, ou 10 anos, e recomendamos abaixo os nossos favoritos para (re)ver com sua criança:

  1. Operação Big Hero 6 (L)
  2. Wall-E (L)
  3. DivertidaMente (L)
  4. Moana (L)
  5. Ponyo: Uma Aventura no Mar (L)
  6. Toy Story 1, 2 e 3 (L)
  7. Monstros S.A. (L)
  8. Os Incríveis 1 (o 2 é 10 anos)
  9. Procurando Nemo (L)
  10. O Rei Leão (L)
  11. E.T. (L)
  12. Mary Poppins (L)
  13. Uma Aventura Lego (L)
  14. O Mágico de Oz (L)
  15. As Viagens de Chiriro (10)
  16. Festa no Céu (L)
  17. Enrolados (L)
  18. Carros (L)
  19. O Meu Vizinho Totoro (L)
  20. Mulan (L)
  21. A História Sem Fim (10)
  22. Labirinto: A Magia do Tempo (10)

Boa Diversão!


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    Para casa? Para quê?

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    Para casa? Para quê?

    Muitas mães e pais nos perguntam sobre a questão do para casa. Tem escola que pede muito. Tem escola que pede pouco. Tem escola que não pede nenhum.

    Neste post avaliamos: Será que faz sentido continuarmos com esta prática?

    Objetivos do Para Casa

    Muitas escolas são escolhidas por causa do "para casa forte", ou da "cobrança de responsabilidade". Escolas, pais e estudiosos concordam que os objetivos do para casa são:

    • Encorajar o estudo individual, criando um hábito de estudo

    • Reforçar o aprendizado da sala de aula.

    Mas será que estão sendo obtidos?

    A realidade do Para Casa

    Objetivo 1: Estudo Individual

    Quem escuta o outro lado, das mães, pais, crianças e cuidadores, descobre que as crianças não fazem o para casa sozinhas. Em sua maioria, as crianças dependem de seus cuidadores (mães, babás, professoras particulares), que gastam boa parte do tempo brigando, coagindo, ameaçando, convencendo e, algumas vezes, fazendo o para casa para as crianças.

    Quando é a mãe ou pai, a situação é pior ainda, pois eles gasta às vezes o pouco tempo que tem disponível para estar com a criança em um momento tenso, estressante e pouco amoroso.

    O resultado é que, ao invés de estimular o Estudo Individual, os para casas estão criando relações desgastadas e agressivas entre mães, pais e seus filhos.

    Objetivo 2: Reforçar o aprendizado da sala de aula

    Reforçar o estudo em casa fazia muito sentido quando as escolas eram locais onde os alunos apenas copiavam matéria do quadro, sem poder falar, perguntar, interagir. Ao chegar em casa, estes alunos tinham que reler o que haviam copiado e aplicar o conhecimento obtido a problemas reais.

    Hoje em dia, todas as escolas entendem que para haver desenvolvimento pedagógico é preciso haver espaço em sala de aula para discussão, tirar dúvidas, resolver exercícios e praticar.

    Não apenas isso, mas já temos uma carga horária enorme nas escolas brasileiras. No Brasil, as crianças tem uma carga horária em torno de 5,7 horas diárias no Ensino Infantil e 4,5 no Fundamental [referencia]. Com 200 dias letivos por ano, isso dá 1140 horas para o Ensino Infantil e 900 horas para o Fundamental anuais.

    A Inglaterra, por comparação, tem apenas  635 horas para o Ensino Infantil e 714 horas para o Ensino Fundamental [referencia]. Além disto, os alunos ingleses tem incluídas na carga horária aulas que geralmente no Brasil as crianças fazem "por fora", como Música, Esportes, Artes, Teatro, Dança, Robótica, Programação e muito mais.

    Desta forma, ao invés de reforçar  o aprendizado em sala de aula, o para casa resulta em crianças exaustas e estressadas, e raiva com relação ao estudo e ao conhecimento.

    Este último efeito é o mais perverso de todos. Sabemos que a carga horária de Matemática, por exemplo, já é uma das mais altas no currículo. E, geralmente, é a matéria com mais para casa, que é, com frequência, chato, repetitivo e cansativo, baseado na ideia (falsa) de que Matemática se aprende repetindo.

    O que acaba acontecendo é que as crianças passam a odiar Matemática, o que resulta em uma incapacidade de aprender, pois sabemos que a emoção está diretamente ligada ao aprendizado. Pense em quantos adultos você conhece que foram obrigados a anos de para casa de Matemática e que hoje sabem Matemática?

    Efeitos Negativos do Para Casa

    Além de não estar funcionando, estudos da Universidade de Stanford [referencia] mostram que o para casa tem sido responsável por:

    • Tempo de descanso insuficiente.
    • Problemas de saúde relacionados à falta de descanso.
    • Falta de tempo para a família e amigos.
    • Falta de tempo para desenvolver habilidades e hobbies fora da escola.
    • Fonte primária de ansiedade para alunos.

    Crianças precisam de tempo livre! Somando o tempo que passam em sala, mais o tempo de extracurriculares (esportes, música, programação e inteligência tecnológica), as crianças hoje em dia estão com as agendas mais ocupadas que muitos adultos.

    Este momento com a família, amigos, e simplesmente ficando livre para brincar do que quiser é fundamental para o desenvolvimento, o descanso, e uma vida boa em geral.

    Será que tem uma solução melhor??

    Sim, o #paracasainteligente

    Nós da Just CODING  acreditamos que o melhor para as crianças seria diminuir a quantidade e melhorar a qualidade do para casa. Sabemos que é possível atingir os objetivos do para casa de forma inteligente, evitando os problemas que mostramos.

    Primeiro, pais e escola devem conversar se o para casa:

    • toma mais de uma hora diária;
    • é fonte de estresse; 
    • é desestimulante e/ou repetitivo.

    Sugerimos que o para casa:

    • seja relevante, baseado em fatos da vida da criança, como procurar exemplos no dia-a-dia do assunto abordado em sala de aula;
    • seja feito em períodos maiores, como dois ou três dias;
    • seja interdisciplinar, de forma que a criança perceba que o conhecimento deve estar conectado;
    • seja adequado à capacidade da criança, para que ela sempre possa fazer sozinha;
    • quando necessitar da participação dos pais, inclua um final de semana para que todos os pais e crianças possam participar;
    • quando necessitar da participação dos pais, seja baseado em compartilhar informações, aprender sobre a família ou o ambiente, e não sobre os pais "ensinarem conteúdo";
    • seja corrigido continuamente, e não apenas "no dia da entrega". Um trabalho que tem várias partes menores que podem ir sendo desenvolvidas em um grande projeto único é muito mais efetivo e didático.
    • se possível, que seja feito em duplas ou grupos, o que também incentiva o aprendizado.

    Vamos construir um futuro melhor?

    Como os cursos da Just CODING são uma atividade extra-curricular, não pedimos para casa, pois sabemos que os alunos já estão sobrecarregados. Mas deixamos à disposição deles o login e a senha para que possam trabalhar nos seus projetos e ideias em casa, se quiserem. Na nossa experiência, eles fazem isto com prazer e alegria, o que torna o aprendizado significativo e produtivo.

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    5 formas de brincar, e ainda desenvolver as habilidades mais importantes para o futuro

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    5 formas de brincar, e ainda desenvolver as habilidades mais importantes para o futuro

    A tecnologia mudou a forma como nos comunicamos, como trabalhamos, e como nos divertimos. Ao invés da família reunida em torno do rádio, ou da TV, vendo o mesmo conteúdo, agora temos dispositivos pessoais, onde o gosto individual determina qual série ou música específica cada um irá ver, e o momento comum vai desaparecendo. Não estou julgando se isto é melhor ou pior. É diferente. E, com isto, as relações que construímos e as emoções que experimentamos serão diferentes. Neste novo mundo, muitas mães e pais sentem que é um desafio brincar com suas crianças. 

    Neste post, sugerimos 5 formas de brincar, que, além de serem divertidas, ajudarão a desenvolver as habilidades mais importantes para o futuro dominado pela tecnologia:

    • alegria de aprender,
    • compreensão,
    • cooperação,
    • paciência, e
    • conexão emocional.

    Para saber mais clique na foto ou no título deste post.

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    Gentileza Digital - 10 sugestões de como não ser rude com tecnologia

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    Gentileza Digital - 10 sugestões de como não ser rude com tecnologia

    Nossa sociedade foi profundamente transformada pela tecnologia. Com isto, as regras sociais também mudaram! Se antes ensinávamos as crianças a dizer obrigada, comer de boca fechada e pedir a benção aos pais, hoje elas também precisam navegar no mundo de mensagens de texto, vídeos online, reuniões à distância e WhatsApp.

    Sugerimos neste post 10 ideias para a boa convivência! Basta clicar na imagem do título!

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    Legoterapia: Ferramenta Educacional para Todos

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    Legoterapia: Ferramenta Educacional para Todos

    Brincar de Lego é uma atividade que quase todas as crianças gostam.

    Na nossa experiência, as crianças alternam entre três tipos de brincadeira: Brincadeira EstruturadaBrincadeira de Construção Criativa e Brincadeira Narrativa.

    Estudos feitos nos EUA e na Inglaterra implementaram técnicas de uso de LEGO® para incentivar crianças a desenvolverem habilidades como cooperação, comunicação e brincadeiras em pares

    Na Just CODING oferecemos o LEGO® CLUB, um espaço de brincadeira supervisionada com LEGO® apropriado para a idade de cada criança (de 5 a 80 anos). Conheça mais sobre nosso trabalho, clicando na imagem acima.

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    Big Ideia na Educação

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    Big Ideia na Educação

    No sábado dia 19 de Agosto, Ana Rodrigues, fundadora e diretora da JUST CODING, participou do programa Big Ideia da TV Alterosa. Confira o vídeo abaixo ou na página do programa Big Ideia.

     

     

     

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